27 de julho de 2020

Boas Férias!


Como é sabido de todos, este ano letivo foi, devido à covid-19, completamente atípico, sobretudo quanto ao terceiro período. 
Todos tiveram de reinventar e descobrir novas formas de trabalhar e ajudar as nossas crianças e alunos/as. 
A BE continuou com a sua atividade, embora adaptada às circunstâncias, contando sempre com a preciosa colaboração e partilha de toda a comunidade: educadoras, professores/as, funcionários/as, alunos/as e famílias.

A todos muito agradecemos!

Clicando no link seguinte, poderão ter uma fugaz ideia do muito que se fez no pré-escolar e no 1.º Ciclo do nosso Agrupamento:


A Equipa da BE deseja a toda a comunidade escolar Boas Férias… e Boas Leituras!



26 de junho de 2020

Andar à toa



E eis chegado o último dia de aulas. E com ele, a última publicação da rubrica “expressões idiomáticas” ou “idiotismos”. 

Ao longo das últimas sextas-feiras, a BE tem apresentado e explicado a origem de algumas das expressões usadas na língua portuguesa.

Algumas delas têm origem histórica.
É o caso da conhecida “Maria vai com as outras”:


A nossa rainha Dona Maria I (1734-1816) enlouqueceu de um dia para o outro. Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono. 
Embora conservasse o título de rainha, a que tinha direito desde 1777, a partir de 1792 quem de facto governava era o seu filho, o futuro rei D. João VI. 
Dona Maria I passou a viver recolhida e só era vista quando saía para caminhar, acompanhada por numerosas damas de companhia. 
Assim, quando o povo via a rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar: “Lá vai D. Maria com as outras”. 


Atualmente aplica-se a expressão a uma pessoa que não tem opinião e que se deixa convencer com a maior facilidade.


Outras expressões têm origem em deturpações e corruptelas no falar.
É o caso da célebre “cor de burro quando foge”:


A frase original era “Corra do burro quando ele foge” e que tem muito sentido porque o burro enraivecido é muito perigoso. No entanto, a tradição oral foi modificando a frase e “corra” acabou transformada em “cor”.


Outras têm ainda origem em situações do dia-a-dia.
É o caso de “tapar o sol com a peneira”:
Trata-se de um objeto circular de madeira com o fundo em rede de metal, seda ou crina, por onde passa a farinha ou outra substância moída. Por mais apertada que seja a teia e a trama, há sempre pequenos espaços, os interstícios. 
Qualquer tentativa de tapar o sol com a peneira é escusada, uma vez que o seu fundo é permeável à luz. 


A expressão significa atualmente um esforço mal sucedido para ocultar uma asneira ou negar uma evidência.

Ou então a expressão “andar à toa”. Toda a gente sabe que esta expressão, hoje, significa andar sem destino, despreocupado, a passar tempo, lembrando certos estudantes… Mas a sua origem é bem diversa. 


Toa é a corda com que uma embarcação reboca outra. Um navio que está “à toa” é porque não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar, ou seja, é guiado por vontade e força… de outro!


Mas vamos parar por aqui.
Como dizíamos no início, as férias vão começar. 
E a BE deseja a todos um fantástico tempo de descanso.

Regressaremos em setembro.
Até lá, procuremos não andar… à toa!

25 de junho de 2020

Às quintas na BE: Castro de Monte Mozinho



E estamos no último “Às quintas na B.E.” do ano letivo 2019-2020.
Desde que as aulas começaram, a 13 de setembro, que em cada semana foi proposta uma atividade sempre diversificada: debates, conferências, filmes, apresentações orais, teatro, música…

Nestas iniciativas a BE contou não só com a “prata da casa” mas também com várias personalidades e instituições que, em parceria, nos ajudaram a realizar tantas sessões inesquecíveis!

Muito obrigada a todos!

Porém, a 13 de março, tudo mudou.
Por causa da covid-19, fomos confinados, o que significou ficarmos em casa, evitando ao máximo o contacto com outras pessoas.

Mas as aulas continuaram! E a nossa vontade de continuar a fazer também!

Por isso não parámos com o “Às quintas na BE”! Apenas tivemos que ficar por visitas virtuais.

Assim, depois de termos andado por tantos lados, e à porta das férias, vamos terminar também… à porta!

Vamos recordar o Castro de Monte Mozinho!


O Castro de Monte Mozinho, ou Cidade Morta de Penafiel, integrando a Rede de Castros do Noroeste Peninsular, localiza-se nas freguesias de Galegos e Oldrões.


É o maior Castro Romano da Península Ibérica e foi classificado pelo Estado, em 29 de setembro de 1948, como sendo de Interesse Público.



Consiste num povoado fortificado de altura que ocupa um cabeço destacado da serra, com 408 m de altitude. Desfrutando de amplos horizontes, que se estendem a Leste até a Serra do Marão e a Sul até o Montemuro, debruça-se sobre a depressão onde corre o rio Cavalum / ribeira da Camba, caminho natural que une o Norte do concelho ao rio Douro, modernamente percorrido pela estrada Penafiel – Entre-os-Rios.


Povoado castrejo de época romana, fundado no século I d.C. mas com uma ampla cronologia de ocupação, que chega mesmo a atingir o século V, é fortificado com duas linhas de muralhas.


O castro possuia uma extensa área habitada, com cerca de 22 hectares, e apresenta diversas reformulações urbanísticas, sendo possível observar vários tipos de construção, desde núcleos de casas-pátio de tradição castreja, com compartimentos circulares e vestíbulo, às complexas habitações romanas de planta quadrada ou retangular.



Na parte superior do castro destaca-se a muralha do século I, cuja entrada era flanqueada por dois torreões onde se encontravam duas estátuas de guerreiros galaicos, atualmente no Museu Municipal. O topo do castro é coroado pela acrópole, delimitada por um espesso muro e estéril em construções interiores. Aí se desenrolariam atividades várias, como jogos, assembleias, mercado, etc.



As escavações no castro de Monte Mozinho tiveram início em 1943 e ganharam novo fôlego em 1974. Desde então não mais pararam, podendo o espólio ser visto no Museu Municipal de Penafiel. 


Inaugurado em 2004, o Centro Interpretativo do Castro de Monte Mozinho constitui um núcleo museológico do Museu Municipal. 

Eis um pequeno filme muito esclarecedor sobre este castro:




A BE deseja a todos um maravilhoso “passeio virtual”, prenúncio de umas férias fantásticas.


Bibliotecas do Mundo: a Municipal de Penafiel



Por estarmos na última semana de aulas, esta será a última publicação da rubrica Bibliotecas do Mundo. 

Ao longo de dois meses demos a conhecer seis das mais maravilhosas e deslumbrantes bibliotecas que existem enquanto espaços com arquiteturas relevantes: três edifícios do passado e três edifícios recentíssimos.


Afinal, uma biblioteca não é algo do passado. É também do presente. 

Só que hoje não é apenas um depósito de livros. 
É, sobretudo, um organismo que, embora tenha livros, tradicionalmente falando, tem também toda uma parafernália de suportes digitais, de meios de comunicação, de processos de digitalização e de confronto de saberes que a fazem ser uma autêntica casa da sabedoria.


Depois de termos corrido tanto mundo, esta última publicação vai nos trazer de volta a casa. 
Devido à pandemia provocada pelo novo corona vírus que nos trouxe a covid-19, devemos ficar, o mais possível, em casa.


Por isso terminamos lembrando a Biblioteca Municipal de Penafiel, a principal biblioteca do nosso concelho!


Integrada desde 1995 na Rede de Leitura Pública, a Biblioteca Municipal de Penafiel é, contudo, mais antiga, dado que em 1863 há documentos que referem a sua existência, constituída a partir de um conjunto de livros que a Biblioteca do Porto tinha em duplicado. 
Aliás, já em 1741, é referida a necessidade da existência de uma biblioteca. 


Em 1885, e após alguma discussão, a Câmara nomeia a primeira comissão organizadora da Biblioteca e faz dois pedidos:

- à Biblioteca Municipal do Porto, uma cópia do seu regulamento e a indicação das tarefas a cargo dos funcionários;
- aos penafidelenses, que tenham em sua posse obras repetidas ou que já não tenham interesse nelas, para as doarem à Biblioteca, aumentando assim o acervo existente.


Isto não passa, porém, de uma mera tentativa. 
Depois de alguns avanços e outros tantos retrocessos, só a 6 de junho de 1917 se assiste à sua inauguração oficial, num edifício da Avenida Araújo e Silva, que virá a encerrar em outubro de 1919.


Reaberta ao público a 6 de junho de 1927, é transferida para um pequeno salão na Avenida Sacadura Cabral, voltando a encerrar ao fim de dois anos.


A 7 de julho de 1947 a Biblioteca é uma vez mais ativada, sendo transferida desta vez para a Praça da República, passando a funcionar no rés-do-chão do Palacete do Barão do Calvário, edifício construído por Manuel Pereira da Silva em 1853 e posteriormente adquirido pela Câmara. 


No resto do imóvel funcionava o Tribunal, casas de Magistrados, repartições públicas e Cadeia. 
No entanto, para se realizarem obras de recuperação do edifício, a Biblioteca será instalada provisoriamente, em 1989, no Salão Polivalente Municipal.


Finalmente, a 4 de março de 1995, nos 225 anos de elevação de Penafiel a cidade, celebrados na véspera, a Biblioteca, ocupando todo o edifício, é inaugurada pelo Presidente da República de então, Mário Soares.


Assim sendo, a Biblioteca Municipal de Penafiel está a celebrar as suas Bodas de Prata, 25 anos de existência no seu atual edifício.

Tendo como objetivo principal possibilitar a toda a comunidade o acesso à informação, independentemente do seu suporte, disponibiliza vários serviços para além da leitura presencial. 
O empréstimo domiciliário, a ludoteca, os postos de acesso à Internet, a disponibilização de meios audiovisuais e os serviços de extensão cultural e educativa são alguns exemplos disso, tendo sempre presente o princípio de que “o leitor não nasce, faz-se”.

A Biblioteca Municipal possui vários espaços de que os leitores podem usufruir:


Átrio: espaço de acolhimento situado no primeiro piso, a partir dele podem identificar-se todos os serviços e salas. É aqui que se situa o balcão de atendimento, serviço de fotocópias, empréstimo domiciliário, painéis informativos, exposições temporárias, expositor com as aquisições mais recentes, e as monografias relativas ao Fundo Local.


Sala de Leitura Geral: constituída por três espaços específicos, à entrada podem-se encontrar jornais e revistas (locais e nacionais), depois o Fundo Bibliográfico com leitura presencial e o Fundo Local, constituído por obras referentes ao concelho de Penafiel e outras de interesse local e regional e, por fim, terminais de computadores com acesso à Internet e ao catálogo online (OPAC).


Sala infantojuvenil: dotada de ludoteca, está destinada ao incentivo da leitura nos mais pequenos.


Sala Multimédia: dotada de computadores com livre acesso ao utilizador e equipados com impressora e scanner.


Auditório Germano Silva


A BE espera que todos os alunos do Agrupamento de Escolas de Paço de Sousa, quais leitores entusiastas, frequentem a sua Biblioteca Municipal.

24 de junho de 2020

24 de junho, São João!



Hoje é dia de São João!
Todos os anos, no mês de junho, entre os chamados Santos Populares, aparece… o São João!


A véspera e a noite de São João é sinónimo de festa rija com sardinha assada, vinho, balões, fogo-de-artifício, rusgas, manjericos, cascatas, quadras, martelinhos, alhos-porros, música, dança e muita animação.


Embora haja festa em várias cidades e vilas de Portugal, Porto e Gaia rivalizam com Braga quanto ao título de maior festa!


Durante a tarde de 23 todos estão ocupados com os preparativos. Depois, a noite começa cedo e há-de terminar muito, mas mesmo muito… de manhã, quando o sol já brilha no céu! 
Nessa altura, os foliões (ou seja, todos aqueles que andaram na folia) regressam a casa para dormir. Normalmente, o dia 24 é muito tranquilo e, à noite, quase que não há gente nas ruas! 
Está tudo a compensar a noite não dormida e o cansaço do tanto que se andou…


Mas este ano, devido à pandemia e às medidas de contenção impostas pela saúde de todos, nada disto acontecerá.
“Que triste São João!” dirão muitos.


Mas, afinal, quem é este santo?
Vamos descobrir…
A sua história é dada a conhecer através da Bíblia. De acordo com os Evangelhos, tudo começa com a Anunciação: o Anjo Gabriel visita uma jovem de Nazaré, de seu nome Myriam, ou Maria, anunciando que ela será a mãe de Jesus. 


Perante o espanto da jovem, o Anjo, para provar que a Deus nada é impossível, dá-lhe a conhecer o facto de que uma sua prima, chamada Isabel, muito idosa e estéril, se encontra já no sexto mês de gravidez. 
Maria vai então visitar a sua prima Isabel, que morava em Ein Kerem, uma terra distante, e por lá fica até ao parto. 


Quando o menino nasce, muitos perguntam qual será o nome que receberá. Zacarias, o pai, que ficara mudo havia já longo tempo, volta a ganhar a capacidade de falar e diz que o menino terá o nome de João e que irá à frente a preparar a vinda do Salvador.

Portanto, João é primo de Jesus.

Vamos agora descobrir como esta festa de S. João está ligada ao Natal.
No tempo histórico de Jesus, há mais de dois mil anos, a data de nascimento não era registada nem se dava a importância que nós damos hoje aos aniversários. Mesmo aos imperadores ou outras pessoas muito importantes não se conhece o dia do nascimento.

O mesmo se passou com Jesus. 


O Natal, festa do seu nascimento, é celebrado a 25 de dezembro porque, não se sabendo o dia certo, os crentes começaram a festejar o seu nascimento sobre uma festa pagã ao deus Sol. Como Jesus era o Sol para as suas vidas, o dia da festa pagã do Sol passou a ser o dia da festa cristã do nascimento de Jesus. 

Ora o episódio da Anunciação (relatado há pouco), também sem data registada, terá de ser nove meses antes do nascimento. Assim, 25 de dezembro (Natal), 25 de março (Anunciação). Se nesse dia Isabel tinha já completado seis meses da gravidez de João, o menino nascerá do dia anterior mais três meses, ou seja, a 24 de junho!


O epíteto Batista com que ficou na história deve-se ao facto de ter sido ele quem batizou Jesus no rio Jordão. O próprio João terá dito: “Eu, de facto, batizo-vos com água. Entretanto, chegará alguém mais poderoso do que eu, de tal maneira que não sou digno sequer de desamarrar as correias das suas sandálias. Ele sim, batizar-vos-á com o Espírito Santo e com fogo.” (Evangelho de S. Lucas 3, 16).

De acordo com a fé cristã, santo é aquele ou aquela que atinge um tal estádio de perfeição em vida que, ao morrer, fica logo no céu em presença de Deus. Assim, celebra-se sempre apenas a data da sua morte, a que se dá o nome de “Dies Natalis”, o dia do nascimento para o céu.

Porém, João Batista é o único santo (para além de Jesus e de Maria) em que se celebram o dia do nascimento e o dia da morte (29 de agosto). 


O próprio Jesus dirá dele: “Eu vos afirmo que entre os nascidos de mulher não há um ser humano maior do que João. Todavia, o menor no Reino de Deus é maior do que ele” (Evangelho de S. Lucas 7, 28).

E como é que São João Batista vivia?
Segundo a Bíblia usava uma veste simples de pele de camelo, vivia no deserto, alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre e proclamava a conversão
Portanto, um homem austero, solitário, de vida muito agreste.

Ou seja, nada comparável à festança que lhe fazem todos os anos…

Queríamos ainda referir um outro aspeto a propósito dos festejos a São João Batista.
Para a Igreja, São João Batista é incontornável!
Portanto, a festa do seu nascimento, que é motivo de grande alegria, é uma solenidade (ou festa maior) que já aparece registada nas atas do concílio de Agde, no território da atual França, em 506. Ou seja, é uma festa com cerca de mil e quinhentos anos de existência! 

Ao longo deste tempo muitos foram os textos e os hinos compostos para o seu culto.
Ora é aqui que entra a origem do nome das notas musicais!

Até ao século XI, estas notas não tinham nome. Nessa altura, um monge italiano chamado Guido d`Arezzo, procurando achar uma solução, reparou que, num hino cantado a São João Batista no dia 24 de junho, cada verso do texto começava numa altura (ou seja, numa nota) diferente.


O que é que ele fez?
Pegou na primeira sílaba de cada verso que passou a ser o nome dessa nota.
Se lerem de baixo para cima, lá estão as sete notas.

Sancte Ioannes
Labii reatum.
Solve polluti,
Famuli tuorum,
Mira gestorum,
Resonare fibris,
Ut queant laxis,

O texto em latim, de Paolo Diacono, diz: "Para que os teus servos possam cantar as maravilhas dos teus atos admiráveis, absolve as faltas dos seus lábios impuros, São João".

No século XVII ut foi substituído por do, sugestão feita pelo músico italiano Giovanni Battista Doni (1593-1647).

A todos, um bom São João!