29 de maio de 2020

Erro crasso


Ora vamos então perceber hoje o que significa e qual a origem da expressão “erro crasso”.
O adjetivo crasso (do latim crassu, "grosso"), já utilizado pelo dramaturgo Plauto (falecido em 184 a.C.), significa, em sentido figurado, “grosseiro”; quer dizer ainda “grosso; espesso; cerrado; denso; opaco”.
Este termo, porém, é mais conhecido pelo seu uso nas expressões correntes “erro crasso” (significando “erro grosseiro”) e “ignorância crassa” (significando “suma ignorância”).


O erro crasso é, portanto, diferente do erro comum a que todos estamos sujeitos. O erro crasso é considerado inadmissível para a posição que a pessoa ocupa ou para o grau de capacidade que evidencia.


Ora, esta analogia pode ter tido origem na vida e no erro de estratégia de uma pessoa concreta.

Marcus Licinius Crassus (Marco Licínio Crasso) viveu entre 114 e 53 a.C. e foi um político importante na República Romana, sendo membro do primeiro triunvirato romano ao lado de Pompeu e de Júlio César.


Filho de Publio Licinio Crassus, teve dois filhos: o general Publio Licinio Crassus, morto com ele em Carras, e o questor Marco Licinio Crassus.
Crasso possuía uma enorme fortuna e é considerado o mais rico romano da história de Roma.

Pois este mesmo Crasso decidiu invadir o Império Parta sem o consentimento formal do senado romano. Rejeitando uma oferta de ajuda do rei Artavasdes II da Arménia, resolveu avançar com o seu exército pelo deserto da Mesopotâmia, sem usar o território arménio, para invadir o Reino Parta.

Para tanto reuniu um exército de 35 mil legionários (equivalente a 7 legiões), 4 mil de infantaria leve e 4 mil cavaleiros, incluindo mil cavaleiros gauleses, e partiu para a guerra. Tudo parecia ir correr bem, mas a arrogância custou-lhe não só a vida, sua e a de seu filho, mas ainda a consideração de inteligente.

Marcus Licinius Crassus (114 a.C.-53 a.C.)
 
É que Crasso confiou cegamente em Ariamnes, árabe amigo de Pompeu mas aliado dos Partas e levou o seu exército até as partes mais inóspitas do deserto, sem provisões para uma batalha mais longa e sem exércitos aliados.
Os exércitos adversários encontraram-se próximo à cidade de Carras, na Turquia. O general Cássio aconselhou Crasso a colocar o seu exército na tradicional formação de batalha: infantaria no centro e cavalaria nos flancos. A estratégia foi vista com bons olhos, mas mudou a formação para um quadrado. Essa formação oferecia mais proteção, mas era proporcionalmente mais lenta.

Vários generais pediram para montar acampamento mas não foram ouvidos. Crasso preferiu seguir os desejos de seu filho Publio, que estava ansioso para lutar. Subestimou o exército inimigo, pensando que seria vitorioso rapidamente só por ser romano.
Por causa deste grave erro de estratégia militar cometido em 53 a.C., na batalha de Carras, Crasso perde de maneira vergonhosa. Um erro… crasso!


Está percebido?
A BE deseja a todos um fantástico fim-de-semana sem erro crasso: neste tempo de pandemia da Covid-19, mantenham a distância de segurança e usem sempre a máscara!

Um conto... de Timor-Leste!


Com esta publicação terminamos hoje a proposta que fizemos de, à terça e à sexta de cada semana deste mês de maio, podermos conhecer uma migalha da literatura, da história e das belezas de cada um dos nove Países que integram a CPLP, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

Como notaram, saltámos a Guiné Equatorial. 



Quando a CPLP foi criada, a 17 de julho de 1996, a Guiné Equatorial pediu o estatuto de observador da organização baseado no facto de ter sido uma colónia portuguesa entre os séculos XV e XVIII e de ter alguns territórios onde as línguas crioulas baseadas no português são faladas. 


Malabo, capital da Guiné Equatorial
Porém, por diversas razões, este país só integrou a CPLP em julho de 2014, na X Cimeira realizada em Díli, capital de Timor-Leste. Por conseguinte, na Guiné Equatorial não existem contos ou literatura em língua portuguesa e por isso, não o incluímos neste périplo.

Assim, e por ordem alfabética, acabamos em… TIMOR-LESTE!



Oficialmente República Democrática de Timor-Leste (em tétum: Timor Lorosa'e), é um dos países mais jovens do mundo, com 14 874 quilómetros quadrados de extensão territorial, e ocupa a parte oriental da ilha de Timor, no Sudeste Asiático, além do enclave (em geografia política, é um território com distinções políticas, sociais e/ou culturais cujas fronteiras geográficas ficam inteiramente dentro dos limites de um outro território) de Oe-Cusse Ambeno (na costa norte da parte ocidental de Timor), da ilha de Ataúro, a norte, e do ilhéu de Jaco, ao largo da ponta leste da ilha. 


Ilha de Jaco, Timor-Leste
As únicas fronteiras terrestres que o país tem ligam-no à Indonésia, a oeste da porção principal do território, e a leste, sul e oeste de Oe-Cusse Ambeno, mas tem também fronteira marítima com a Austrália, no Mar de Timor, a sul. A sua capital é Díli, situada na costa norte.


Díli, Timor-Leste
O nome "Timor" deriva de Timur, a palavra para "leste" em indonésio e malaio, que se tornou Timor em português, como era conhecido o Timor Português. Como "leste" é a palavra portuguesa para "leste", resultou assim "Timor-Leste" (Leste-Leste). Lorosa'e (aceso "sol nascente") é a palavra para "leste", em tétum, para Timor Lorosa'e.


Praia de Baucau, Timor-Leste
O mais novo país da CPLP país foi colonizado pelo Império Português a partir do século XVI e foi chamado Timor Português até a descolonização do país. 


No final de 1975, Timor-Leste declarou a sua independência mas, no final daquele ano, foi invadido e ocupado pela Indonésia, sendo anexado como a 27.ª província do país no ano seguinte. 



Em 1999, após um ato de autodeterminação patrocinado pelas Nações Unidas, o governo indonésio deixou o controlo do território e Timor-Leste tornou-se o primeiro novo Estado soberano do século XXI, a 20 de maio de 2002. 



Após a independência, o país tornou-se membro das Nações Unidas e da CPLP. É um dos dois únicos países predominantemente cristãos no sudeste da Ásia (o outro é as Filipinas).
A língua mais falada em Timor-Leste foi o indonésio (no tempo da ocupação indonésia) mas hoje é o tétum (mais falado na capital). 



O tétum e o português formam as duas línguas oficiais do país, enquanto o indonésio e a língua inglesa são consideradas línguas de trabalho pela atual constituição de Timor-Leste.



A sua bandeira é predominantemente de cor vermelha (representando a luta pela libertação do país) com um triângulo isósceles (dois lados iguais e um diferente) de cor preta (representando o obscurantismo do passado que é preciso vencer) do lado esquerdo, com uma cunha de cor amarela (representando as marcas do colonialismo) e, no centro, uma estrela de cinco pontas de cor branca (representando, tão só, a paz).

Com a ilustração seguinte, vamos dar-te a conhecer um conto tradicional deste povo:

Bosco

TIMOR-LESTE
A Voz do Liurai de Ossu

“No princípio do século, o Liurai de Ossu entregou ao ocupante uma arma tida como relíquia maubere e acompanhou a entrega com a afirmação de que ele não mais voltaria a fazer a guerra.
Desde sempre as florestas mauberes têm sido templos sagrados e lugares de segredos. E, pelo menos há quinhentos anos, pessoas estranhas de várias nações entram e atravessam esses sítios sem serem capazes de entendê-los.
Quer espreitando, quer escutando, o que fica por ver e por ouvir é sempre mais do que o necessário para já não se compreender a vida interior e os propósitos mauberes. É que é preciso ver mais para lá e, também, ouvir mais para lá. E avaliar, sobretudo avaliar, a luz das vozes.
Mil segredos e projetos mauberes estão guardados por famílias, sacerdotes, liurais e outros chefes desde há séculos para somente serem revelados quando tiverem de o ser. Todos os mauberes sabem disto — e muitos, até, o têm dito ao longo dos tempos. Porém, ninguém estrangeiro foi ainda capaz de penetrar na história maubere até ao fundo dos fundos.
É por isso que quase tudo dos mauberes ainda está por dizer, é por isso que o verdadeiro sentido de muitos e muitos factos, mesmo dos revelados diante do testemunho do povo, ainda está por explicar completamente. Como aquele gesto do Liurai de Ossu…
Há uns setenta anos, o liurai decidiu oferecer ao ocupante uma espingarda tida como relíquia maubere. Depois de todas as cerimónias do estilo, o Liurai de Ossu, rodeado de chefes e de sacerdotes, autorizou que trouxessem, da floresta sagrada onde já estava há um tempo imenso, essa arma – uma comprida espingarda de um cano para aí de dois metros e meio de comprimento. O ato parecia de homenagem ao ocupante e as palavras, então por ele ditas, de inconsciente humildade:
– Nós já não precisamos de armas.
– Porquê? – perguntou o ocupante.
– Porque nunca mais faremos a guerra!
Os Sacerdotes e os Chefes repetiram:
– Não precisamos de armas porque nunca mais faremos a guerra!
Outros liurais, chefes e sacerdotes, por certo disseram o mesmo:
– ]á não precisamos de armas porque nunca mais faremos a guerra.
Mas palavras destas sempre foram ditas fora da floresta. Dentro dela, nunca! Porque na floresta somente se rezava liberdade.
Ainda hoje, meninas e meninos, mulheres e homens rezam lá liberdade.

E há quem diga ainda ouvir, a roçar pelas árvores, a voz do liurai de Ossu a rezar liberdade.”

Esperamos que tenhas gostado de fazer esta viagem pelo nosso planeta e pela nossa casa que é, no dizer de Fernando Pessoa, a língua portuguesa.

Está dado o mote. Vais continuar?


28 de maio de 2020

Às quintas na BE: Mosteiro dos Jerónimos


No “Às quintas na BE” de hoje, convidamos-te a “visitar” aquele que é considerado um dos nossos melhores monumentos: o Mosteiro dos Jerónimos!


Obra fundamental da arquitetura manuelina (assim se chama o tipo construtivo contemporâneo do rei D. Manuel I de Portugal), o Mosteiro de Santa Maria de Belém, mais conhecido como Mosteiro dos Jerónimos, é um mosteiro português da Ordem de São Jerónimo construído no século XVI e situa-se na freguesia de Belém, cidade e concelho de Lisboa.

Santa Maria de Belém
Desde 1498, com a descoberta do caminho marítimo para a Índia, Portugal consegue ter acesso direto à fonte das especiarias e, através de uma sofisticada logística de navegação e de poder militar, consegue colocar estes produtos na Europa. 
Todo esse manancial e poderio é ostentado, neste monumento, pelos reis D. Manuel I e D. João III.


Ponto culminante da arquitetura manuelina, este mosteiro é o mais notável conjunto monástico português do seu tempo e uma das principais igrejas-salão da Europa. A sua construção iniciou-se, por iniciativa do rei D. Manuel I, no início do século XVI e prolongou-se por uma centena de anos.

D. Manuel I (Nicolau Chanterene)
O risco inicial é de Jacques Boytac (que aqui trabalha entre 1501 e 1516), lançando os fundamentos da igreja e do claustro, e cuja campanha de obra inclui os arranques do portal principal. Em 1516 entra em funções João de Castilho, que aqui está até ir trabalhar no Mosteiro da Batalha em 1528. 

Claustro
O portal sul, as abóbadas da igreja e conclusão do claustro, a Sala do Capítulo, a sacristia e o refeitório são da sua autoria. 

Refeitório
A capela-mor inicial, mais pequena, foi entretanto substituída por uma de João de Ruão, de estilo maneirista.

Capela-mor
O Mosteiro dos Jerónimos encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1907 e, em 1983, é classificado como Património Mundial pela UNESCO, juntamente com a Torre de Belém.
Esperamos que as imagens e o texto te tenham provocado o desejo de visitar este monumento para melhor o conheceres.

Sacristia
Se quiseres, podes fazê-lo agora mesmo, de forma virtual. Para isso basta clicar:


A BE deseja-te uma fantástica visita!

Bibliotecas do Mundo: o Real Gabinete Português de Leitura


E vamos a mais um episódio de Bibliotecas do Mundo!
Esta é uma biblioteca muito especial. Porquê?
Em 10 MINUTOS A LER, vamos descobrir.


O Real Gabinete Português de Leitura é uma biblioteca e instituição cultural lusófona e situa-se no centro da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, na rua Luís de Camões, número 30.


A instituição Gabinete Português de Leitura foi fundada a 14 de maio de 1837 por um grupo de quarenta e três imigrantes portugueses, refugiados políticos, reunidos na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga rua Direita (hoje rua Primeiro de Março), número 20, para a promoção da cultura entre a comunidade portuguesa na então capital do Brasil, sendo mesmo a primeira associação desta comunidade na cidade.


O edifício da atual sede, projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro, foi erguido entre 1880 e 1887 em estilo neomanuelino, evocando o exuberante estilo gótico-renascentista vigente à época dos Descobrimentos portugueses, denominado Manuelino por haver coincidido com o reinado de D. Manuel I, rei de Portugal entre 1495 e 1521.


O Imperador D. Pedro II (1831-1889) do Brasil lançou a primeira pedra do edifício em 10 de junho de 1880, e sua filha, a Princesa Isabel, junto com seu marido, o Conde d'Eu, inauguraram-no em 10 de setembro de 1887 sendo orador convidado o escritor português Ramalho Ortigão.

Ramalho Ortigão (1836-1915)
A fachada, inspirada no Mosteiro dos Jerónimos de Lisboa, foi trabalhada por Germano José Salle em pedra de lioz em Lisboa e trazida de navio para o Rio de Janeiro. 


As quatro estátuas que apresenta retratam Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Infante D. Henrique e Vasco da Gama. Os medalhões da fachada retratam os escritores Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garrett.


O interior também é em estilo neomanuelino como é bem visível nas portadas, nas estantes de madeira para os livros e em alguns monumentos comemorativos. 


O Salão de Leitura tem um belo candelabro, uma claraboia em estrutura de ferro (primeiro exemplar desse tipo de arquitetura no Brasil) e um belíssimo monumento adquirido em 1923, em prata, marfim e mármore, chamado o “Altar da Pátria”, com 1,7 metros de altura, que celebra a época dos descobrimentos e que foi produzido no Porto, na Casa Reis & Filhos, pelo ourives António Maria Ribeiro.


Aberta ao público em geral desde 1900, a biblioteca do Real Gabinete Português de Leitura, verdadeira joia da cidade do Rio de Janeiro, possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal. 
Entre os cerca de 350 000 volumes, nacionais e estrangeiros, encontram-se obras raras como um exemplar da edição "princeps" (primeira edição de uma obra) de “Os Lusíadas” de Camões (1572) que pertenceu à "Companhia de Jesus", as "Ordenações de Dom Manuel" por Jacob Cromberger (1521), os “Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles fizeram” (1539) ou a “Verdadeira informaçam das terras do Preste Joam, segundo vio e escreveo ho padre Francisco Alvarez” (1540). 


Aliás, desde 15 de março de 1935, pelo decreto n.º 25.134, o governo português concedeu ao Real Gabinete o benefício de receber de todos os editores portugueses um exemplar das obras por eles impressas (sendo a única instituição, fora do território português, a ter este privilégio) o que permite uma atualização permanente da biblioteca em termos do que se edita em Portugal.


Em 1906 o rei D. Carlos de Portugal atribui o título de “Real” ao Gabinete e realiza-se, no Salão dos Brasões, uma grande exposição de pinturas de José Malhoa, a cuja inauguração comparece Francisco de Paula Rodrigues Alves, quinto Presidente do Brasil (1902-1906). 


No primeiro dia da exposição, dos 125 quadros apresentados foram vendidos 26, sendo que um deles, “O sonho do Infante”, foi adquirido para ficar no Real Gabinete. No seu espólio consta também uma importante coleção de pinturas de Carlos Reis, Oswaldo Teixeira, Eduardo Malta e Henrique Medina.


Esta instituição já foi agraciada com diversas honras: Oficial da Ordem Militar de Cristo (5 de julho de 1946), Comendador da Ordem de Benemerência (19 de agosto de 1947) Membro-Honorário da Ordem Militar de Cristo (9 de abril de 1981) e Membro-Honorário da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (13 de julho de 1990).


E se lá fossemos agora?
Pois é só clicar…



27 de maio de 2020

Leio, logo existo!


Olá a todos
Este ano letivo, a turma 2 da E.B.1 de Mosteiro concorreu ao "Concurso Uma Aventura… Literária 2020" com um texto coletivo. Este teve, como tema, a Educação Ambiental, abordado em Cidadania, e incidiu sobre a poluição dos oceanos causada pelos plásticos e outros materiais.


Com este trabalho, a turma conseguiu alcançar um excelente 3.º lugar, uma vez que estavam a concurso mais de 14 mil trabalhos.
A BE congratula-se com essa honrosa distinção e dá os PARABÉNS a todos os meninos e meninas da turma bem como à professora Aurora Barbosa pelo trabalho desenvolvido.

E a melhor forma de expressar esta alegria e manifestar o reconhecimento pelo feito alcançado é… ler o texto "A aventura da Carapaça".


"Um certo dia de verão, o Sol brilhava no céu azul e uma tartaruga chamada Carapaça nadava nas ondas do oceano. Nestas águas, havia tubarões, baleias, peixes-balão, cavalos-marinhos, peixes, algas…mas também havia plástico, vidro, metal…

Ora, a Carapaça andava a brincar com a sua amiga Verdina e ela ficou com a barbatana presa numa garrafa de plástico. A Verdina foi ver onde estava a sua amiga e, quando a encontrou, tentou ajudá-la, mas não conseguiu.

A Carapaça ficou preocupada porque podia ser apanhada pelos predadores. Como não conseguia nadar muito bem, foi arrastada pelas ondas até uma praia.
Uma menina chamada Joana estava a brincar na areia perto do mar e viu a tartaruga a mexer-se na água.
A Joana foi dizer à mãe que tinha visto uma tartaruga magoada na barbatana por causa de ter uma garrafa de plástico lá metida.


Elas levaram a tartaruga ao veterinário, que percebia de tartarugas, para tirar a garrafa e ver se tinha algum ferimento.
O veterinário disse à mãe da Joana que a tartaruga ia ficar duas semanas no aquário gigante que lá havia. Passado esse tempo, a Carapaça já estava melhor e já podia nadar.

A Joana e a mãe levaram a tartaruga para o mar porque os animais selvagens devem estar no seu habitat natural.
Nunca devemos deitar lixo na Natureza, pois vai destruir o nosso Planeta. É importante, todos nós, fazermos a Reciclagem!"

Turma 2 – Mosteiro
2019

A mesma professora Aurora Barbosa partilhou também com a BE, o que muito agradecemos, o seguinte texto:

"Em tempo de pandemia, em que a presença física não foi possível, construímos uma corrente de escrita para que o elo se mantivesse e foi este o resultado.
Eis, pois, uma escrita a várias mãos de alunos, pais e professora."


Que coisa bonita! É que para escrever é preciso saber escrever, querer escrever e, finalmente, escrever!
A todos aqueles que colaboraram, não só neste texto mas noutros que se foram fazendo no âmbito de outras turmas e anos de escolaridade, muitos PARABÉNS!!
Por favor, continuem!

Por conseguinte, este segundo momento de leitura que hoje propomos tem como título “Um voo pelas páginas brancas” e, além de ser uma bela história “a várias mãos”, é uma ótima forma de realizarmos hoje o que nos propusemos fazer todos os dias: 10 minutos a ler!


"A primavera chegou, nos jardins começavam a aparecer as primeiras flores e as árvores cobriam-se de folhas verdes e brilhantes. As borboletas esvoaçavam por entre as plantas e as abelhas procuravam o pólen, para levarem para as suas colmeias.
De manhã cedo, ouvem-se os passarinhos a cantar enquanto fazem os ninhos para os seus bebés. A natureza fica mais colorida e com um cheirinho muito bom. Os primeiros morangos começam a aparecer, são uma delícia!
Regressam as andorinhas aos seus ninhos, nos beirais, para porem os ovos e os chocarem. Acordamos todos os dias com os passarinhos a cantarem, atarefados na recolha de ervas e palhas secas para fazerem os ninhos. Que linda que é a Primavera!
Foi num destes dias que uma menina chamada Sara encontrou uma andorinha bebé no chão de relva verde, pois uma águia castanha e branca, acidentalmente, a feriu com uma das suas asas.
A Sara, rapidamente e com cuidado, pegou na andorinha e levou-a para sua casa. Tratou dos ferimentos, deu-lhe banho e comida e, no dia seguinte, a Sara procurou o ninho onde estaria a mãe da andorinha.
A menina, ao fim da manhã, encontrou a mãe da andorinha. O nome dado à andorinha foi Bolinha e esta ficou muito contente por encontrar a sua mãe. A partir daí, a Bolinha e a mãe passaram a ter mais atenção e cuidado com os outros animais e ficaram muito amigas da Sara. Vinham vê-la todos os dias quando chegava da escola.


A Sara dava-lhes comida e água, a Bolinha e a sua mãe agradeciam-lhe cantando. De seguida, elas despediam-se da menina e voltavam para o seu ninho, para descansarem.
A menina era curiosa e observava atentamente o voo das andorinhas. Era tão elegante, tão suave, tão bonito, que ela própria começou a sentir uma grande vontade de voar! Queria bailar no vento! Então, teve uma ideia “e se eu construísse umas asas para conseguir voar com a minha amiga Bolinha?”
A Sara, toda contente, decidiu começar a construir as suas asas com alguns materiais que encontrava no chão. Foi ao jardim perto da sua casa e apanhou alguns paus e penas coloridas dos patinhos do lago do jardim. Voltou para casa, contou a ideia à sua mãe e pediu o seguinte:
- Mãe, podes ajudar-me a voar?
- Claro, filha, mas precisamos de mais material e de fazer um esboço. – disse a mãe chamada Carla.
As duas foram, muito contentes, comprar um lápis, folhas para fazer o desenho, parafusos e tintas para que as suas asas parecessem um verdadeiro arco-íris.
No caminho para a loja encontraram um amigo da Sara, o João. Logo, animadíssima, contou toda a sua história e o seu plano de voar. O menino adorou a ideia e foi logo pedir aos seus pais umas asas para também poder voar e assim aproveitar a suave e doce brisa da primavera.
Alguns dias depois, o João foi a casa da Sara para ver como estavam as suas asas. Quando lá chegou, viu que a Sara já as tinha concluído. O João ficou admirado com as asas, elas eram grandes e bonitas, como nunca antes tinha visto. Então, o João perguntou à Sara:
- Sara, trouxe as minhas asas, achas que podemos voar juntos?
- Sim, João, podemos voar juntos com as nossas amigas andorinhas.
A mãe Carla que estava a ouvir os meninos a conversar disse:
- Para voar não basta ter asas.
Logo, a Sara respondeu.
- Então, mãe, o que é preciso mais?
A mãe respondeu que, para voarem, além das asas, necessitariam de coragem! E quem os poderia ajudar a obter essa coragem, seria a amiga Bolinha, uma vez que voava com tanta elegância e suavidade que os podia ensinar e encorajar.
No dia seguinte, logo de manhã cedo, a Sara e o seu amigo João começaram por colocar as asas cor de arco-íris que tinham construído. Tentaram várias vezes voar, mas não conseguiram. Foi aí que a sua amiga Bolinha os ajudou, dizendo:
- Sara e João,vocês não precisam de asas para voarem, mas sim de um livro e muita imaginação!
Foi nesse preciso momento que a Sara se lembrou do livro de páginas brancas que a mãe lhe tinha oferecido no Natal. Então, decidiram começar a escrever uma aventura com a Bolinha em que ela e o João podiam voar pelo mundo fora e mostrar a todas as crianças que é possível sonhar. Partiram para essa aventura cheios de entusiasmo, coragem e preparados para explorar novos desafios.


O João e a Sara pegaram no seu caderno branco e começaram por imaginar que estavam numa floresta tropical, rodeada de muitas árvores, onde habitavam aves de diferentes espécies e cores. Havia papagaios, araras, tucanos, periquitos, entre outros. Como os dois estavam com as suas asas coloridas, foram muito bem recebidos por todos os animais.
Com esta beleza toda, com estas cores bonitas daquelas aves, esquecemo-nos que também existem perigos e o primeiro perigo foi o Leonel, o tucano, que não gostava que ninguém tivesse asas mais bonitas do que as dele.
Não foi fácil conseguir a amizade do Leonel... Ele era muito autoritário e muito, muito ciumento. Não gostava de ver gente estranha na "sua floresta", mas com a ajuda da Bolinha, explicaram que só queriam conhecer aquela floresta tropical encantadora...
Após todas as explicações e sob o olhar atento e desconfiado de Leonel, lá conseguiram entrar e observar toda aquela maravilha de floresta, com imensas palmeiras a perder a vista, árvores cheias de cores carregadas de plantas exóticas e de frutos. Os três amigos estavam muito felizes com a aventura, mas, a certa altura, ouviram um barulho estranho, parecia que vinha de dentro de uma gruta. Mas o que poderia ser?
Então, os três amigos encheram-se de coragem, mas ao mesmo tempo com algum receio, entraram na gruta avistando, ao fundo, um lindo panda bebé. Logo, de seguida, chega a sua mãe, assustada por ver tanta gente junto do seu filho, e perguntou-lhes o que se passava para estarem ali.
- Não fiquem assustados, apenas gostaríamos de apreciar a beleza da floresta e conhecer os animais que nela habitam. – respondeu a Sara.
A mamã panda, feliz, chamou os seus filhos pandas e os seus amigos esquilos e ratinhos que viviam juntos e caminharam pela floresta.
Havia lugares lindos, jamais imaginados, de tamanha beleza. Num dos lugares da floresta encantada, havia uma bela cascata com um lindo lago, a água era azul, limpa e tinha imensos peixinhos coloridos.
- João, que pena, chegamos ao fim do livro, já não há folhas em branco para podermos continuar a nossa aventura!
- Sara, é verdade, mas a história que escrevemos ficou espetacular! Na verdade, quando queremos, não há limites para a nossa imaginação."


Autores: alunos, pais e professora da turma 2 da E.B.1 de Mosteiro.

Então, até à próxima quarta-feira!
Boas Leituras!