Mia Couto escritor e
biólogo moçambicano
António
Emílio Leite Couto escolheu o pseudónimo Mia Couto porque adora gatos e quando
era pequeno acreditava que era um deles.
Ø Biografia (resumida)
Nasceu no
dia 5 de julho de 1955 na cidade da Beira, em Moçambique. Aos 14 anos de idade, publicou alguns poemas
no jornal "Notícias da Beira".
Três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Moçambique
que se chamava Lourenço Marques na altura (agora chama-se Maputo). Estudou
medicina durante dois anos, mas abandonou este curso e passou a ter a profissão
de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Em 1983,
publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho.
Mia Couto
entrou no curso de Biologia na Universidade
Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique, em 1985, após
abandonar a carreira de jornalista. Terminou a sua licenciatura em Biologia,
com especialidade em Ecologia, no ano de 1989.
Como biólogo, dirige as Avaliações de
Impacto Ambiental, IMPACTO Lda., empresa que faz estudos de impacto ambiental,
em Moçambique. Mia Couto tem realizado pesquisas em diversas áreas,
concentrando-se na gestão de zonas costeiras. Além disso, é professor da
cadeira de ecologia em diversos cursos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
Ø Curiosidades:
O Pseudónimo Felino: António Emílio Leite Couto adotou o
nome "Mia" porque, em criança, tinha uma paixão tão grande por gatos
que comia com eles e imitava os seus miados. A família passou a tratá-lo por
"o miado", que evoluiu para Mia.
Biólogo e Escritor: Ao contrário de muitos autores a tempo
inteiro, Mia Couto é biólogo de profissão. Ele afirma que a biologia o
ajuda a escrever, pois ensina-o a observar o mundo e as pequenas formas de vida
com uma sensibilidade diferente.
Herança Literária: O seu pai, Fernando Couto, era um
conhecido jornalista e poeta em Moçambique, o que influenciou o seu contacto
precoce com as letras.
Ø Curiosidades
da obra:
Mia
Couto é mestre em criar palavras novas (neologismos), um processo que ele chama
de "falinventar": inventar, falando. Ele mistura palavras em português com oralidade e o
ritmo das línguas moçambicanas, criando termos como
"desadormecer" ou "esperançar".
Eis mais
alguns exemplos:
Exactamesmo: junta "exactamente" e "mesmo",
usada para reforçar uma certeza.
Abensonhadas: Título da obra Estórias Abensonhadas,
mistura "abençoadas" com "sonhadas".
Brincriação: Reúne "brincar" e "criação".
Minimozito: Um diminutivo carinhoso e extremamente pequeno para
algo ou alguém.
Inutensílio: Combinação de "inútil" e
"utensílio", referindo-se a objetos que perderam a função prática.
Ø Alguns dos Prémios atribuídos:
- Prémio Camões (2013): O mais importante galardão da língua portuguesa, atribuído pelo
conjunto da sua obra.
- Prémio PEN/Nabokov de Literatura Internacional
(2025): Distinção da PEN America.
- Prémio Internacional Neustadt de Literatura
(2014): Frequentemente referido como o "Nobel
Americano", Mia Couto foi o segundo autor de língua portuguesa a
recebê-lo.
- Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas
(2024): Atribuído pela Feira
Internacional do Livro de Guadalajara, no México.
Ø Prémios por Obras Específicas
- Prémio Jan
Michalski de Literatura (2020): Pela trilogia As Areias do Imperador.
- Grande
Prémio de Conto Branquinho da Fonseca (2024): Atribuído pela Associação Portuguesa
de Escritores (APE).
- Prémio União
de Escritores Moçambicanos (1995): Pela obra Estórias Abensonhadas.
- Prémio Vergílio Ferreira (1999): Atribuído pela Universidade
de Évora pelo conjunto da sua obra ensaística e ficcional.
Ø Outras Distinções Importantes
- Melhor Livro
Africano do Século XX: O seu
romance Terra Sonâmbula foi eleito um dos 12 melhores
livros africanos do século.
- Ordem do
Infante D. Henrique (2014): Grau de Comendador, atribuído pela Presidência da República
Portuguesa.
OBRA LITERÁRIA
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§ Principais Romances Terra Sonâmbula (1992) A Varanda do Frangipani (1996) O Último Voo do Flamingo (2000) Trilogia As Areias do Imperador (2015-2018) Composta
por Mulheres de Cinza; A
Espada e a Azagaia; O Bebedor de
Horizontes O Mapeador de Ausências (2020) |
§ Contos e Crónicas Vozes Anoitecidas (1986) Cada
Homem é uma Raça (1990) Compêndio
Para Desenterrar Nuvens (2023) § Poesia e Literatura Infantil Raiz de Orvalho (1983) Poemas Escolhidos O gato e o escuro (2001) A chuva pasmada (2004) O beijo da palavrinha (2006) O menino no sapatinho (2013) A água e a águia (2019) As Sementes do Céu (2025) |
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Fonte: Instituto Camões, RTP Ensina, Infopédia, Wikipédia.

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