Hoje, 23 de abril,
celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.
Com esta comemoração pretende-se reconhecer a importância e a utilidade cultural
dos livros, essenciais para o desenvolvimento da literacia e da economia, assim
como incentivar hábitos de leitura na população.
A UNESCO instituiu esta data em 1995, durante a sua 28.ª Conferência Geral, por ser um dia importante para a literatura mundial - foi a 23 de abril de 1616 que faleceu o espanhol Miguel de Cervantes
... e a 23 de abril de 1899 que nasceu o russo Vladimir Nabokov.
O
dia 23 de abril é também considerado como o dia em que nasceu (1564) e morreu (1616)
o inglês William Shakespeare.
Os livros são um importante meio de
transmissão de cultura e informação e elementos fundamentais no processo
educativo.
Uma forma de celebrar é partilhar
a(s) sua(s) obra(s) preferida(s) com os outros. Outra sugestão é começar a ler
um novo livro.
Este ano, a Capital Mundial do
Livro é Tiblissi, capital da Geórgia, e o slogan é:
"Ok. So your next book
is…?" (Certo! E o próximo livro é…?)
… e pretende promover o uso das
novas tecnologias como meios de incentivo à leitura entre os mais novos.
Neste sentido, a BE apresenta “Olá, eu sou um livro”, de Rui Alexandre Grácio
... (português doutorado em
Ciências da Comunicação, mestre em Filosofia Contemporânea e licenciado em
Filosofia) com ilustração de Catarina Fernandes.
https://www.youtube.com/watch?v=qlJkjyWV7qk
Aparentemente um livro infantil,
revela a importância que este objeto tem sem que se lhe dê. O paradoxo aparece
logo no início, quando o livreiro, em tom de desabafo, diz que o livro não é um
bem de primeira necessidade pois nunca se viu alguém a comer um livro quando
tem fome! Mas essa é a fome física, a que se satisfaz pela boca.
Porém, o espírito também tem fome!
E essa não se satisfaz pela boca… Essa é alimentada pelas ideias, pelo
conhecimento, pela descoberta… E que refeição fabulosa não se torna, assim, um
livro!
Na verdade, os livros não se comem.
Comem-nos! Isso sim. E por isso deviam ser
reconhecidos tal como são: bens de primeira necessidade. Mas isso é uma verdade
não admitida.
Dois exemplos:
- com a pandemia, veio o
confinamento obrigatório. Só podiam estar abertos (embora com regras definidas)
os espaços comerciais para satisfação de necessidades básicas. Assim aconteceu
com os super e hipermercados. As livrarias, não!
- um dos momentos a observar depois
da vacinação contra a covid-19 é ficar sentado durante trinta minutos a
aguardar algum reação adversa. Está largamente registado nos diretos
televisivos: não se vê um único livro nas mãos de alguém! Muitos seguram telemóveis
mas vê-se, pelo saltitar dos polegares, que estão a jogar…
Para 2021, os ilustradores Susana Diniz e Pedro Semeano (dupla conhecida por Adamastor), Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração em 2020, conceberam a imagem do cartaz.
Com ele, pretendem mostrar que, um
ano após o início da pandemia, é o livro que continua a abrir-nos o espaço de
isolamento físico, mas que também permite que o pensamento floresça e seja
sempre cada vez mais livre. Durante o último ano, quando a maioria dos países
atravessou períodos de confinamento e as pessoas precisaram limitar o tempo que
passam fora de casa, os livros provaram ser ferramentas poderosas para combater
o isolamento, reforçar os laços entre as pessoas, expandir os horizontes e
estimular a mente e a criatividade. Em alguns países, o número de livros lidos até
duplicou.
Ler é preciso!
No entanto, se a leitura é tão
importante, por que é que, entre nós, as pessoas não a praticam?
Porque é preciso ser treinada. É
necessário criar o gosto
pela leitura, buscar temas pelos quais se tenha uma inclinação natural,
de acordo com a personalidade de cada um.
Além disso, quem lê tem,
geralmente, algo mais interessante
para contar. O que se conversa hoje? Que conversa se faz em família ou à
volta da mesa? Felizmente, para a grande maioria, há uma televisão por perto a
debitar conversa…
Outra grande vantagem para quem tem
o hábito da leitura é saber mais
e melhor ortografia. Muitas vezes, até se sabe o significado correto da palavra
e o seu uso adequado. No entanto, a sua grafia é desconhecida por a ter ouvido
centenas de vezes mas lido apenas em poucas oportunidades.
Por último, vale a pena realçar
quanto a leitura ajuda no enriquecimento
do vocabulário. Como este está hoje reduzido à sua mínima expressão,
muitas pessoas encontram dificuldade em transmitir os seus pensamentos ou
sentimentos.
Certo! E o próximo livro é…?














