Faz hoje 500 anos
que Fernão de Magalhães, com 41 anos de idade, o navegador
português responsável pela primeira viagem de circum-navegação
do globo terrestre, foi morto.
Nascido em local incerto (Sabrosa? Porto? Vila Nova de Gaia? Ponte da Barca?) na primavera de 1480 no seio de uma família nobre, terminará os seus dias nas Filipinas, na batalha de Mactan, na ilha de Cebu, às mãos de Lapu-lapu, último governador dessa região (1521 a 1542).
Mas toda esta gesta teve início em 1505 quando viajou para as Índias
Ocidentais, participando em várias expedições militares. Em 1512 foi na armada
de António de Abreu à descoberta das Molucas, também conhecidas como as Ilhas das
Especiarias.
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| Fernão de Magalhães no Padrão dos Descobrimentos, Lisboa |
Ao serviço do rei de Castela,
Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico (também rei de Aragão e Itália entre
outros títulos), planeou e comandou a expedição marítima que efetuou a primeira
viagem de circum-navegação ao globo. Para tanto efetuou a aparelhagem de cinco
navios que, com 256 homens de tripulação (cerca de 40 eram portugueses),
partiram de Sanlúcar de Barrameda,
perto de Sevilha, a 20 de setembro de
1519.
Toda a viagem foi registada graças
a Antonio Pigafetta, escritor italiano que havia
pago do seu próprio bolso para viajar com a expedição e que escreveu um diário.
Felizmente Pigafetta foi um dos apenas 18 homens a retornar vivo à Europa, na
nau Victoria, no termo desta aventura. Dessa forma, legou à posteridade um raro
e importante registo de onde se pode extrair muito do que se sabe sobre este
episódio da história.
Fernão de Magalhães foi o primeiro a alcançar a Terra do Fogo, no extremo sul do continente americano...
... a atravessar
o estreito que hoje tem o seu nome (que
liga os oceanos Atlântico e Pacífico) e a cruzar o Oceano Pacífico, que ele próprio nomeou.
O Pinguim-de-Magalhães recebeu o seu nome como homenagem, já que Magalhães foi o primeiro europeu a ter visto um. As suas aptidões de navegação foram também reconhecidas na nomeação de objetos associados à astronomia, incluindo as Nuvens de Magalhães...
... as crateras lunares de Magalhães...
... as crateras marcianas de Magalhães e a sonda
espacial da NASA Magellan.
Após a sua morte, a expedição continuará
até ao seu termo sob o
comando de João Lopes Carvalho
(durante dois meses) e Juan Sebastián Elcano
que a terminará, entrando em Sevilha a 6 de setembro de 1522.
O facto desta empresa fantástica e fundamental para o conhecimento do globo terrestre ter sido realizada por orientação de um português mas ao serviço da coroa de Castela fez com que nunca fosse muito salientada na história de Portugal.
Isto mesmo se lê nos LUSÍADAS. Em
relação a Magalhães e à sua viagem, Luís de Camões, no Canto X, assim se refere:
…
140
"Mas cá onde mais se alarga, ali tereis
Parte também, co pau vermelho nota;
De Santa Cruz o nome lhe poreis;
Descobri-la-á a primeira vossa frota.
Ao longo desta costa, que tereis,
Irá buscando a parte mais remota
O Magalhães, no feito, com
verdade,
Português, porém não na lealdade.
141
"Dês que passar a via mais que meia
Que ao Antártico Pólo vai da Linha,
Düa estatura quási giganteia
Homens verá, da terra ali vizinha;
E mais avante o Estreito que se
arreia
Co nome dele agora, o qual caminha
Pera outro mar e terra que fica onde
Com suas frias asas o Austro a esconde.
Fica-nos o gesto, a audácia e o
génio!












