9 de março de 2026

Posted by Biblioteca de E.B.2,3 de Paço de Sousa in | março 09, 2026

 


Mia Couto escritor e biólogo moçambicano

António Emílio Leite Couto escolheu o pseudónimo Mia Couto porque adora gatos e quando era pequeno acreditava que era um deles.

 

Ø  Biografia (resumida)

Nasceu no dia 5 de julho de 1955 na cidade da Beira, em Moçambique. Aos 14 anos de idade, publicou alguns poemas no jornal "Notícias da Beira".  Três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Moçambique que se chamava Lourenço Marques na altura (agora chama-se Maputo). Estudou medicina durante dois anos, mas abandonou este curso e passou a ter a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Em 1983, publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho.

Mia Couto entrou no curso de Biologia na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique, em 1985, após abandonar a carreira de jornalista. Terminou a sua licenciatura em Biologia, com especialidade em Ecologia, no ano de 1989.

Como biólogo, dirige as Avaliações de Impacto Ambiental, IMPACTO Lda., empresa que faz estudos de impacto ambiental, em Moçambique. Mia Couto tem realizado pesquisas em diversas áreas, concentrando-se na gestão de zonas costeiras. Além disso, é professor da cadeira de ecologia em diversos cursos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

 

Ø  Curiosidades:

O Pseudónimo Felino: António Emílio Leite Couto adotou o nome "Mia" porque, em criança, tinha uma paixão tão grande por gatos que comia com eles e imitava os seus miados. A família passou a tratá-lo por "o miado", que evoluiu para Mia.

Biólogo e Escritor: Ao contrário de muitos autores a tempo inteiro, Mia Couto é biólogo de profissão. Ele afirma que a biologia o ajuda a escrever, pois ensina-o a observar o mundo e as pequenas formas de vida com uma sensibilidade diferente.

Herança Literária: O seu pai, Fernando Couto, era um conhecido jornalista e poeta em Moçambique, o que influenciou o seu contacto precoce com as letras.

 

 

 

Ø  Curiosidades da obra:

Mia Couto é mestre em criar palavras novas (neologismos), um processo que ele chama de "falinventar": inventar, falando. Ele mistura palavras em português com oralidade e o ritmo das línguas moçambicanas, criando termos como "desadormecer" ou "esperançar".

Eis mais alguns exemplos:

Exactamesmo: junta "exactamente" e "mesmo", usada para reforçar uma certeza.

Abensonhadas: Título da obra Estórias Abensonhadas, mistura "abençoadas" com "sonhadas".

Brincriação: Reúne "brincar" e "criação".

Minimozito: Um diminutivo carinhoso e extremamente pequeno para algo ou alguém. 

Inutensílio: Combinação de "inútil" e "utensílio", referindo-se a objetos que perderam a função prática.

 

Ø  Alguns dos Prémios atribuídos:

  • Prémio Camões (2013): O mais importante galardão da língua portuguesa, atribuído pelo conjunto da sua obra.
  • Prémio PEN/Nabokov de Literatura Internacional (2025): Distinção da PEN America.
  • Prémio Internacional Neustadt de Literatura (2014): Frequentemente referido como o "Nobel Americano", Mia Couto foi o segundo autor de língua portuguesa a recebê-lo.
  • Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas (2024): Atribuído pela Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México. 

 

Ø Prémios por Obras Específicas

 

  • Prémio Jan Michalski de Literatura (2020): Pela trilogia As Areias do Imperador.
  • Grande Prémio de Conto Branquinho da Fonseca (2024): Atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores (APE).
  • Prémio União de Escritores Moçambicanos (1995): Pela obra Estórias Abensonhadas.
  • Prémio Vergílio Ferreira (1999): Atribuído pela Universidade de Évora pelo conjunto da sua obra ensaística e ficcional. 

 

Ø Outras Distinções Importantes

 

  • Melhor Livro Africano do Século XX: O seu romance Terra Sonâmbula foi eleito um dos 12 melhores livros africanos do século.
  • Ordem do Infante D. Henrique (2014): Grau de Comendador, atribuído pela Presidência da República Portuguesa. 

 

 

 

OBRA LITERÁRIA

 

 

 

 

§  Principais Romances

 

Terra Sonâmbula (1992)

A Varanda do Frangipani (1996)

O Último Voo do Flamingo (2000)

Trilogia As Areias do Imperador (2015-2018) Composta por Mulheres de Cinza; A Espada e a Azagaia; O Bebedor de Horizontes

O Mapeador de Ausências (2020)

 

§  Contos e Crónicas

 

Vozes Anoitecidas (1986)

Cada Homem é uma Raça (1990)

Compêndio Para Desenterrar Nuvens (2023)

 

 

 

 

§  Poesia e Literatura Infantil

 

Raiz de Orvalho (1983)

Poemas Escolhidos

O gato e o escuro (2001)

A chuva pasmada (2004)

O beijo da palavrinha (2006)

 O menino no sapatinho (2013)

A água e a águia (2019)

As Sementes do Céu (2025)

 

 


 

Fonte: Instituto Camões, RTP Ensina, Infopédia, Wikipédia.