À semelhança dos anos passados continuamos, na nossa BE, com esta atividade que visa dar a conhecer, mensalmente, um escritor/poeta de língua portuguesa. E neste mês de outubro estamos sempre em sintonia com a Escritaria, esse fantástico evento literário de Penafiel. Este ano o autor convidado é o grande poeta Manuel Alegre. Na nossa BE, como de costume, damos a conhecer alguns aspetos da sua biografia e obra.
Manuel Alegre de Melo Duarte, escritor,
poeta e político, nasce em Águeda
a 12 de maio de 1936, sendo filho de Francisco José de Faria e Melo
Ferreira Duarte e de Maria Manuela Alegre de Melo Duarte.
À exceção
da instrução primária, feita em Águeda, Manuel Alegre frequenta diversos
estabelecimentos de ensino: faz o primeiro ano do liceu no Passos Manuel, em Lisboa,
no segundo esteve três meses como aluno interno no Colégio Almeida Garrett, no Porto, seis
meses no Colégio Castilho,
em São João da Madeira, e depois foi para o Porto, concluindo os estudos secundários no
Liceu Central Alexandre
Herculano. Aqui funda, com José Augusto Seabra, o jornal Prelúdio.
Estuda Direito na Universidade de
Coimbra onde se torna um ativo dirigente estudantil sendo membro da
Comissão da Academia que dá apoio à candidatura de Humberto Delgado à
Presidência da República em 1958.
Em 1957
torna-se militante do Partido
Comunista Português até 1968, quando adere à Ação Socialista Portuguesa,
embrião do Partido Socialista.
Além disso
participa na fundação do CITAC - Círculo de Iniciação Teatral da Academia de
Coimbra sendo também ator no TEUC - Teatro de Estudantes da Universidade de
Coimbra, deslocando-se para atuar em Bruxelas (1958), Cabo Verde (1959) e
Bristol (1960).
Extremamente
versátil dirige o jornal “A Briosa”, é redator da revista “Vértice”,
colaborador de “Via Latina”, participa na coletânea A Poesia Útil e Poemas Livres,
juntamente com Rui Namorado, Fernando Assis Pacheco e José Carlos Vasconcelos
sendo também campeão nacional de natação e atleta internacional da Associação
Académica de Coimbra.
A sua posição
sobre a ditadura e a guerra colonial levam o regime de Salazar a chamá-lo para
o serviço militar em 1961, sendo colocado nos Açores, onde tenta uma ocupação
da ilha de S. Miguel, com Melo Antunes.
Em 1962 é
mobilizado para Angola, onde dirige uma tentativa pioneira de revolta militar.
É preso pela PIDE
em Luanda, em 1963, durante seis meses. Na cadeia conhece escritores angolanos
como Luandino Vieira, António Jacinto e António Cardoso. Colocado com residência
fixa em Coimbra, passa à clandestinidade e acaba por sair para o exílio em 1964.
Durante dez
anos exilado em Argel, onde é dirigente da Frente Patriótica de Libertação
Nacional, aos microfones da emissora A Voz da Liberdade, a sua voz converte-se
num símbolo de resistência e liberdade.
Entretanto,
os seus dois primeiros livros, Praça da Canção (1965) e O
Canto e as Armas (1967) são apreendidos pela censura, mas passam de mão
em mão em cópias clandestinas, manuscritas ou dactilografadas. Poemas seus,
cantados, entre outros, por Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel
Freire e Luís Cília, tornam-se emblemáticos da luta pela liberdade.
Regressado
a Portugal a 2 de maio de 1974, alguns dias após a Revolução dos Cravos, entra
no Partido Socialista
onde, ao lado de Mário Soares, promove as grandes mobilizações populares que
permitem a consolidação da democracia e a aprovação da Constituição de 1976, de cujo preâmbulo é
redator.
Entretanto,
integra os quadros da Radiodifusão Portuguesa, como diretor dos Serviços Recreativos
e Culturais, sendo um dos fundadores (com Piteira Santos, Nuno Bragança e
outros) dos Centros Populares 25 de Abril, uma organização que pretendia um
papel cívico, complementar ao dos partidos.
Deputado por Coimbra em todas as eleições
desde 1975 até 2002 e por Lisboa desde 2002 até 2009, participou no I Governo Constitucional
formado pelo Partido Socialista em 1976. Foi, ainda, Vice-Presidente da Assembleia da República
em 1995, membro eleito do Conselho
de Estado (de 1996 a 2002 e de 2009 a 2016) e candidato a Secretário-geral
do PS em 2004.
Em 2005
candidata-se à Presidência da República, como independente e apoiado por cidadãos,
tendo obtido mais de um milhão de votos nas eleições presidenciais de 22 de janeiro
de 2006, ficando em segundo lugar e à frente de Mário Soares, o candidato então
apoiado pelo PS.
Em 23 de
julho de 2009 despede-se do lugar de Deputado que ocupou durante 34 anos.
É eleito,
em março de 2005, como sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das
Ciências e, em abril de 2010, a Universidade de Pádua inaugura a Cátedra Manuel
Alegre, destinada ao estudo da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas.
Em maio de
2010 Manuel Alegre anuncia nova candidatura à Presidência da República.
Em novembro
de 2016 é eleito sócio efetivo da Academia das Ciências, na Classe de Letras, 1.ª
Secção – Literatura e Estudos Literários.
Manuel
Alegre tem edições da sua obra em diversas línguas, nomeadamente italiano,
espanhol, alemão, catalão, francês, romeno e russo.
Quanto à
sua vida privada, casou duas vezes, primeiro com Isabel de Sousa Pires, de quem não teve filhos, e
depois com Mafalda Maria
de Campos Durão Ferreira, com a qual tem dois filhos (Francisco, casado com
Margarida, da qual tem dois filhos, Pedro e João e Afonso (solteiro e sem filhos) e uma filha,
Joana.
E, para aguçar o apetite:
OUTONO
Uma folha caiu
em plena estrada.
Era apenas uma folha
uma folha a cair
no meio da estrada.
Uma folha a cair.
Mais nada.
